Juntos somos a consciência que transmuta os tempos.
Qualquer coincidência com o tempo linear é mera semelhança.
Aqui todos os dias é "o dia fora do tempo".
Agora celebramos o solstício e o equinócio sem negócio.
O texto, por ser maioritariamente feito de vazio, pode conter tudo.
O texto metaforAmorfosea-nos a hélix.
Grata!

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domingo, 21 de dezembro de 2014

"NECESSIDADE INTERIOR"


"A “Beleza interior” resulta de uma necessidade interior imperiosa, de uma renúncia às formas convencionais de Belo. Os profanos chamam-lhe fealdade. O homem (hoje mais do que nunca) tem uma tendência para as coisas exteriores, e não consegue reconhecer naturalmente a necessidade interior. Esta recusa total das formas habituais do “Belo” torna sagrados todos os processos que permitem manifestar a sua personalidade. O compositor vienense Arnold Schönberg segue solitário esta via, reconhecido apenas por raros e entusiastas admiradores.
(...)

Schönberg pressente claramente que a liberdade total, sem a qual a arte se asfixia, jamais é absoluta. Cada época recebe a sua parte, e o génio mais poderoso não pode ir além deste limite. Mas esta medida tem de ser esgotada, de cada vez, e por inteiro, e assim o será sempre. Também Schönberg se esforça por esgotar esta liberdade, e neste caminho de “beleza interior”, já descobriu verdadeiras minas da “Nova Beleza”. A sua música faz-nos penetrar num reino novo, onde as emoções musicais não são apenas auditivas, mas também, e sobretudo, interiores. Aqui começa a “música do futuro”."


sábado, 20 de dezembro de 2014

"NUNCA É AXIOLOGICAMENTE NEUTRO"


“O facto de as mudanças correntes no nosso sistema de valores afectar muitas ciências pode parecer surpreendente para quem acredita numa ciência objectiva, axiologicamente auto-suficiente. Esta é, no entanto, uma das implicações importantes da nova física. O contributo de Heisenberg para a teoria quântica, que discuto em detalhe neste livro, implica claramente que a ideia clássica da objectividade científica não pode continuar a ser mantida, e do mesmo modo a física moderna desafia o mito duma ciência valorativamente neutra. Os padrões que os cientistas observam na natureza estão, intimamente, ligados aos seus modelos mentais, com os seus conceitos, pensamentos e valores. Consequentemente, os resultados científicos obtidos e as aplicações tecnológicas investigadas estarão condicionados pela sua estrutura mental. Apesar de muita da sua pesquisa minuciosa não depender explicitamente do seu sistema de valores, o grande trabalho de sistematização no qual esta investigação é levada a cabo nunca é axiologicamente neutro. Os cientistas são, por isso, intelectual e moralmente responsáveis.”